As Crônicas que estão sendo publicadas escrevi-as ao longo da minha vida e continuo a escrevê-las ininterruptamente. Espero que os anos que passaram, os valores que mudaram, as opções escolhidas durante meu caminho tenham me feito uma pessoa melhor sempre disposta a receber de braços abertos e com muito amor todos os seres humanos e que eu consiga transmitir com profundidade meus conceitos, ansiedades, alegrias e tristezas. A literatura desde pequena constituiu para mim o meu mundo e a forma de chegar até coração dos que me lêem e espero que continue a ser até o ultimo momento de minha vida.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Uma Mulher Especial


Uma das imagens mais ternas que vem com freqüência em meus pensamentos foi de alguém muito especial que já se foi há muitos anos. Recordo-me que durante toda a minha vida ela foi o esteio dos momentos tristes ou alegres. Chamei-a sempre de babá mesmo quando já era adulta, porque não saberia falar de outra maneira. Em várias oportunidades foi de uma força extraordinária até mesmo quando um dia defendeu-me de um acontecimento que eu poderia ter morrido, não fosse a sua intervenção.
Acho que tomara conta de todas as pessoas da família, mas comigo tinha um cuidado demasiado e mesmo pequenina eu sentia a expressão diferente e extremamente meiga quando me tomava nos braços. Era mãe essencialmente e não queria nada mais que isso.
Sabia mais de meus sentimentos, meus mistérios, minha história, minha vida do que minha mãe. E era a primeira a ser procurada quando eu tinha um grande acontecimento a relatar, quando chegava ofegante pela corrida, louca para lhe dizer o que me emocionara, alegrara e tornara-me tão essencialmente feliz.
Havia uma pureza inerente nessa mulher, uma dedicação tão evidente e profunda por uma filha que não era de sangue, que me emocionava toda vez depois que já me tornara adulta, de pensar nessa sensação que só podia vir dela. Mas eu a amava como se minha mãe fosse. E hoje toda vez que falo dela, as lágrimas não podem deixar de descer.
Quando eu nasci, ela já se encontrava na casa de meus avós e eles haviam criado o filho dela. Com todo o carinho. Essa doação de amor que vira e fora testemunha era algo que sempre me impressionara. Tive a enorme alegria de testemunhar a generosidade, amor, sentimentos e atitude nobres dessa fantástica mulher e pude presenciar o quanto ela era corajosa e firme quando se tratava de nos defender.Especialmente eu fora protegida por ela numa hora muito difícil em que era inocente e indefesa.
 Na época que vim para Brasília, a sua dor fora tão grande que me sentira transida de aflição ao ver seu desespero e sentira uma saudade tão grande que doía como se fosse uma dor física. E o coração dói verdadeiramente. Já senti isso em várias oportunidades.
Seu nome era Joaquina, mas todos na família a chamavam de mãequina, menos eu que me acostumara desde que nasci a chamá-la de babá. Nunca vi exemplo de bondade tão especialmente tocante, tão espontâneo e natural em todas as manifestações.
Foi essa mulher, babá ou mãequina que ensolarou meu tempos de infância, defendeu-me o quanto pode das intempéries, chorou inusitadas e muitas vezes Soube também ficar a meu lado, paciente e extremamente carinhosa num período difícil em que me via e acompanhava-me mesmo quando eu estava silenciosa ou arredia. Conservo-a  extremamente viva e sempre solidária dentro do meu coração.
Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Meu Momento de Alegria


Enquanto procuro encontrar o motivo dessa alegria tão profunda, a desiquilibrar-me em orgias interiores, penso em tudo que minha vida tem representado.Momentos intensos todos. Sejam de felicidade ou tristeza, mas sempre intensos.E adoro a intensidade! Luto, vibro, desejo, aspiro e clamo por ela em todos os sentidos.

 Nada na vida para mim poderá ser morno ou razoável. Terá que sempre me fazer ter delírios que deixam meu corpo cansado e minha mente esfuziante. Quando choro, quero que as lágrimas desçam até arder minha pele e quando a alegria me domina os risos são os anjos que me fazem expressá-la sem medidas nem espaços, deixando que meu  coração bata acelerado e eu possa ressarcir os momentos contrastantes com a fé dos grandes acontecimentos.

Hoje olhando a janela essa natureza abundante, vivi num segundo toda a minha vida, extraindo os ensinamentos que procurei, aperfeiçoando-me nos sofrimentos, superando-me nos entuasiamos profundos que sempre me souberam tornar incessantemente exuberante.

Essa é meu dia de alegria, não importam os percalços que entrecortam os caminhos nem as labaredas de decepções que aparecem vermelhas de tão fortes e verdadeiras. Minha alma  não retém essa objetividade permanente nem quer se intranqüilizar com os pensamentos de catástrofes.

Desejo me isolar um pouco para absorver esse sentimento e depois poder espalhar e distribuir como se fossem confetes em pedacinhos que marcam e insinuam  coloridos mil.

Enquanto procuro um lugar em que minha privacidade possa absorver a alegria que me invade fico pensando na vida que corre e não pode se deter. E digo para mim mesma que a vida não espera. Apresso-me em compreender o sentido desse momento e esqueço qualquer eventual  transtorno, que modifique essa sensação estonteante que me domina por completo.

Lentamente, peço um pouco de calma ao meu coração e entendo que  no decorrer da minha estrada aprendi a entender as complexidades do caminho e dançar e pular ao ritmo da própria música fazendo-a entoar harmoniosa.

Venho agora nesse começo de um  novo ano me questionar quanto ás loucuras do meu espírito tão inesperado em seus gritos,  anseios e desejos.

Agora, nesse exato instante de alegria eu me desfaço de lembranças passageiras e me fixo em tudo que de bom, feliz, completo, possa existir para me entender e poder usufruir o que estou sentindo com o vigor necessário que meu ser exige.

E vejo, sinto esse momento, e consigo soerguer meu coração em endiabrados pulos a cobrar de mim a certeza e veemência que lidera meus sentimentos. Compreendo então porque a razão de tanto transtorno e agradeço á intensidade com que sempre vivi cada trecho da minha vida.

Minha alma vibra em luz intensa delegando ao meu olhar a responsabilidade do brilho e do reflexo de alegria que envolverá outros seres e outros corações que precisam desse sentimento.
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Potencialidades da Alma


Sempre gostei da noite. De usufruir cada momento desse espaço e saborear a esperança de um novo dia que se fará presente trazendo novas alegrias e concretizações. Não sei porque nunca pensamos em nada negativo quando refletimos sobre os dias que virão.Como se nossos pensamentos estivessem temporariamente vacinados contra qualquer visão de uma realidade que não corresponde aos nossos padrões. E quando a realidade se aproxima, às vezes cambaleamos ao seu forte impulso.

Realmente somos dos extremos, porque quando a vida não corresponde aos sonhos que apreendemos, temos a tendência de ficar dominado pelo lado negativo e sofrermos antes mesmo que saibamos a conclusão que se acercará de nossas vidas. São essas surpresas que nos tornam ansiosos, mas ao mesmo tempo nos permitem viver com uma relativa paz.

Essa noite me deixou reflexiva por longas horas. E enquanto olhava as estrelas, sempre nos pontos de luminosidade, trazendo-nos a claridade que encerra beleza e fulgor, pude ponderar em toda a minha vida passada e presente e nos mistérios que se acercaram, inverossímeis em sua incompreensão.

Enquanto ficava ali, divagando, entendi que vaidades ou orgulhos são os elementos mais tristes e devastadores de qualquer vida.Não que não possamos exultar por uma vitória, ou cuidar de nosso espírito ou corpo. Apenas que nada valem, quando não estão ligados a valores intrínsecos e preciosos.

Foi assim que vi muito longe com se estivesse na lua a figura de uma pessoa especial, que iluminou de forma incandescente minha vida, e interiormente conversei com ela. Pude absorver esse sentimento e perceber que nada é mais importante, que a paz que sentimos em momentos de entrega interior.E ainda tive oportunidade de compreender o valor dos pequenos gestos, e de sentimentos que aparentemente nos parecem sem valor.

Todo um passado se apresentou a meus olhos e o colorido era por vezes tentadoramente expressivo. Fui me aproximando daqueles dias, com uma simplicidade envolvente e cheguei intimamente a dialogar com uma pessoa querida. Não a vi. Mas sei que a energia dessa pessoa é tão grande, que ela me transmitiu a paz e o conforto que naquele instante eu estava precisando.

Não a vi, mas senti. Não falei com ela em diálogo comum, porém na efusão de nossas almas, e rememorei dias de minha infância e adolescência em que ela foi a protetora e amiga incondicional.

Sentei-me, ali à luz do luar, em efusões que faziam meu coração bater celeremente, como seu pudesse conviver com as pessoas das quais estava saudosa.

Desconheci naquele momento qualquer alegria ou tristeza real que pudesse estar me conturbando e vivi o presente de recordações, certa de que as pessoas se vão, todavia sua força, energia, bondade, amor, generosidade permanecem e se tornam sementes, que poderão frutificar nas pessoas que elas amam, dependendo do grau de aceitação de cada um de nós.

Eu me conservei longo tempo observando os estragos que meu inconsciente, muitas vezes me proporcionou, e disposta a viver todos os sentimentos que minha alma não experimentou, mas que eu deixaria daquele momento em diante expandir em suas potencialidades, das mais simples às mais complexas.

Foi isso que aprendi num momento de dor, que se transformou em vivência e discernimento consciente e pleno.

                      Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 3 de abril de 2012

E o "Depois"?

Pensar é algo impressionante. De visão em visão animada pelo movimento como um filme, nos detemos nas coisas mais ínfimas  e sabemos  que se não quisermos ninguém penetrará esse  mundo íntimo e maravilhoso.
Dessas imagens surgiu-me uma pergunta: Como será tudo depois da morte? Como nos movimentaremos nesse ritmo que faz de nossos dias algo inesperado? 

Imagino um espaço enorme e vazio, impressionantemente cheio de paz, encoberto pela beleza etérea e incompreendida e, no entanto incrivelmente presente. Muitas vezes imaginei-me em sonhos, mesmo acordada, estar nas nuvens e conseguir permanecer naquele denso e flutuante cinza que vemos daqui de nosso planeta, sentindo inefável bem-estar tão profundo, que parecia mesmo flutuar.

Toda a vida então apareceria à nossa frente com uma precisão impressionante e o discernimento nos faria ver nossos atos e sentimentos em seus mínimos detalhes. Algo insondável e misterioso! Mas tudo isso são apenas deduções e a imaginação que se desdobra com toda a força de sua potencialidade.

A verdade é que não sabemos o depois. E isso é que gera a insegurança e por que não dizer o medo do desconhecido. Mas estive pensando longamente sobre esse mistério e cheguei à conclusão que tudo em nossa vida foi desconhecido e soubemos enfrentar  com galhardia e certa despreocupação.

Aproveito então para fazer uma fantasia e imaginar um jardim lindo com flores diferentes em estilos, cores e aromas, deixando que o sol, nosso conhecido e amigo brilhe e aqueça nossos corpos, um silêncio enriquecedor a contornar tudo isso e a presença de pessoas que se foram e nós amamos.

Imaginei minha mãe chegando suavemente sendo recebida pelo meu pai, o espírito animado como sempre, aqueles olhos azuis, enormes e profundos que o caracterizaram e o sentimento profundo que os unira. Acerquei-me então deles e já não existiam lembranças que pudessem nos separar, ficamos ali juntos e felizes durante longo tempo enquanto eu absorvia a natureza etérea e pura que me fazia respirar docemente.
Não existia espaço nem limite, mas algo que eu nunca poderia imaginar. Como se tudo fosse ligado e transcendental. Como se nada pudesse mais me atingir em termos de sofrimento e matéria, mas perdurava uma insegurança quanto ao lugar que eu ficaria. Ou se seria apenas uma passagem para que fosse conhecendo as diferenças mesmo ilimitadas. Naturalmente, porém naquele momento não pensava nisso ou tinha qualquer dúvida. Só depois que saíra daquele lugar é que consegui localizá-lo. Prosseguia em minha exploração silenciosa.

Era tudo tão magnífico e diferente, as sensações que emanavam tão positivas que eu me perguntava se estaria certa. Não queria pensar naquele instante. Desejava só sentir, mesmo que ilusório, como seria “o depois”.
Vânia Moreira Diniz

Riqueza Verde e Marrom

 Nasci no asfalto. Minhas energias foram ressarcidas das pedras. E sempre amei aquele movimento de carro e de vida porque era o meu mundo. O mundo que conheci, com toda a sua agitação generosa e frenética. Incrivelmente perturbadora e ao mesmo tempo deslumbrante, em que não existem monotonia e tranqüilidade.

Mas um dia quando menos esperava desvendei o segredo da própria natureza e pus-me a pensar, crédula, que ali existia um mistério. Que se compunha do verde-azulado da plantação e o marrom da terra que gera tudo que podemos sonhar em vida e produção. Imaginei-me rica e com um tesouro inigualável que pegava com minhas mãos que só conhecera até então o superficial que a cidade grande recebia vinda do interior. E que dei-me silenciosa a divagar.

Sentei-me uma tarde num degrau da escada no quintal da minha casa e comecei a sonhar com a vastidão da natureza que na verdade, eu pouco conhecia. Cheguei mais perto num simples canteiro de plantas e senti no tato a terra que se esvaia entre meus dedos, deliciosa na sua aspereza, escura e forte. E olhei em volta de mim o pouco de verde plantado como é possível numa casa em um bairro do rio de Janeiro como Copacabana. Cimento por todos os lados contra um pouco do rasteiro verde. E mesmo assim meus olhos ficaram concentrados naquela cor que me trazia a imagem da natureza.

Andando em volta passei a ver que não era apenas o céu, as estrelas e a lua que eu amava em meus devaneios, mas faltavam elementos como o verde-azulado da plantação e o marrom da terra.

E jamais esqueci quando passei um dia pelo Jardim Botânico, bairro que eu amava desde criança, e resolvi entrar para me compensar da ausência desses elementos essenciais e pelos quais estava ávida. Muitas vezes desde aí precisei da natureza verde e marrom como uma fonte inesgotável de energia e fortaleza, procurando muitas vezes lugares que me reintegrassem ao seu ambiente e enchessem meus olhos de vida na paisagem verde marrom que eu aprendi cedo a amar.

Hoje essas cores fazem parte de minha alma e de meus cantos. Como se sem elas eu não pudesse sobrepujar as intempéries naturais e o vigor se transmitisse diretamente por simbiose. Admirando o planeta maravilhoso, os rios em seu ritmo  absorvente, os lagos mansos, todas as espécies de plantas e flores existentes, o mar gigantesco que  me faz orgulhar-me de tudo que foi criado e cujo poder me acalma e conforta, não posso deixar de sentir-me emocionada ao apreciar o verde-azulado da plantação que nos dá a riqueza de frutos e alimentação regida pela sábia natureza e o  marrom cheio de vigor que faz com que a seiva se multiplique e transborde.

Verde e marrom, as cores sábias e produtivas que espargem por nossos campos fecundos e dão-nos a certeza se bem  cuidados e distribuídos que ninguém precisará passar fome ou sofrer com a falta de dignidade da miséria.
Vânia Moreira Diniz   
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